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As 10 Perguntas de Ouro para Não errar na próxima decisão de Carreira

Um guia leve e humano para quem está em dúvida sobre seus próximos passos!

Vamos conversar com calma sobre isso, porque essa é uma das situações que mais observo nas mentorias que realizo. É também uma das questões que mais geram dúvidas, incertezas e inseguranças em profissionais de todas as áreas e níveis, pois tomar uma decisão de carreira dificilmente é algo que se resolve rapidamente. Mesmo quando tudo parece organizado no papel, como um bom salário e um cargo atraente, em alguns momentos as coisas podem ficar confusas dentro da gente. A razão aponta para um lado, as emoções puxam para outro, e você se vê ali no meio, tentando entender o que é vontade verdadeira por mudança, o que é medo e fuga disfarçados, o que é intuição e o que é apenas o peso e desgaste acumulado dos últimos anos na mesma posição ou empresa.

Passar por uma transição de carreira, pedir uma promoção, trocar de empresa, aceitar um novo desafio ou até começar um projeto próprio do zero, tudo isso toca em áreas profundas da nossa identidade, pois a vida profissional nunca é apenas sobre trabalho, ela é também sobre quem somos e quem estamos nos tornando. Por isso, antes de dar qualquer passo, vale a pena parar, respirar e se fazer algumas perguntas que ajudam a organizar a confusão interna. Perguntas simples, porém profundas, que provocam reflexões sobre o que realmente importa.

Abaixo você encontrará algumas perguntas que podem ajudar a trazer clareza profissional e direção para o rumo que você quer, ou talvez precise, dar à sua carreira. Reflita sobre cada uma delas com calma, sem pressa, sem cobrança. Não é necessário ter todas as respostas agora, porque essas perguntas não servem para acelerar o processo, mas apenas para direcionar. Elas funcionam como uma espécie de checklist emocional e estratégico, criado para guiar você nos momentos em que a mente se confunde e o coração hesita. Permita-se sentir, pensar e revisitar cada ponto com honestidade. É nesse processo que a clareza surgirá.


1. O que eu realmente quero, e não o que esperam que eu queira?

Essa pergunta parece simples, mas não por acaso é a primeira e uma das mais reveladoras. Passamos tanto tempo atendendo expectativas externas, buscando aprovação social, da família, da empresa, do mercado, que às vezes esquecemos de nos perguntar o que realmente desejamos para a nossa trajetória profissional.Avalie se quando você pensa na sua próxima fase profissional, o desejo é genuinamente seu ou está tentando se encaixar no que “fica bem”, no que “deveria ser feito” ou no que “todo mundo espera” que você faça?

Feche os olhos e imagine sua vida daqui a alguns anos. Você acorda motivado, ou estará apenas cumprindo a rotina? Essa vida se parece com o que você imaginava para si, ou é uma adaptação para não decepcionar alguém no contexto em que você está vivendo?

Nem sempre essa resposta aparece rápido, mas quando surge, traz uma sensação de liberdade e alinhamento interno. 

Mas, e se descobrir que muito do que deseja nasceu mais de expectativas alheias do que das próprias vontades? Não há problema algum, pois isso acontece com muitos de nós, porque todos somos influenciados por fatores externos. O importante é que, a partir dessa descoberta, começa o realinhamento necessário para buscar aquilo que realmente faz sentido e que conecta com o que você realmente quer.




2. Eu estou me movendo por vontade ou por fuga?

Ter clareza nessa distinção é essencial, pois existe uma diferença enorme entre avançar porque deseja crescer e avançar porque não suporta mais o ambiente atual. Uma é verdadeiramente uma busca por desenvolvimento e expansão, já a outra é mais por uma questão de sobrevivência.

Às vezes achamos que queremos mudar de emprego, quando na verdade só queremos distância de um ambiente desgastante e que já não faz mais sentido no momento em que estamos vivendo. Outras vezes imaginamos uma nova área como solução, quando no fundo o problema é a liderança atual. E sim, é muito humano e natural a busca por alívio. Mas entender o que de fato está impulsionando sua decisão é o que impede você de trocar um problema por outro, e assim continuar frustrado e desmotivado.

Ao refletir e perceber que a motivação principal é fuga, não se culpe. Apenas evite decidir no impulso, porque uma mudança feita na pressa pode não trazer nada realmente diferente do que você tem hoje. Pergunte-se o seguinte: se eu resolver o problema atual, aquilo que está me desgastando, a urgência de mudar diminui? Essa simples pergunta costuma trazer um tipo de lucidez que orienta e traz calma ao mesmo tempo. Quando a resposta vem com honestidade, ela te protege de decisões precipitadas e abre espaço para escolhas mais conscientes, mais tranquilas e que verdadeiramente farão sentido na sua trajetória profissional.


3. O que esta decisão vai acrescentar à minha vida daqui a dois anos?

Algumas opções e escolhas parecem brilhar no curto prazo, mas perdem força rapidamente se não estiverem alinhadas com o que você realmente precisa. É fácil se encantar com o novo, com o agora, mas e como fica o “depois”?

Para evitar um erro aqui, projete sua vida pessoal e profissional daqui a dois anos. Você vê crescimento, vê novas habilidades? Consegue enxergar uma trajetória que faz sentido ou apenas um cenário parecido com o atual, apenas com outro nome de empresa na assinatura do e-mail?

Fazer essa pergunta ajuda você a evitar a decisão por impulso e colocá-la em perspectiva, avaliando o que realmente importa. Se você olhar para esse possível futuro e não se sentir inspirado, recomendo fortemente que você repense as alternativas e opções de mudança que porventura tenha no momento. Talvez elas não sejam muito diferentes do que você já tem hoje.


4. Quais são os riscos reais, e quais são apenas medos criados pela minha mente?

Nesses momentos de avaliação de mudança de carreira, o medo não é necessariamente um inimigo. Ele pode estar protegendo você. A questão aqui é que na maioria das vezes, costumamos exagerar em nossos temores. Para não permitir que ele controle totalmente seus pensamentos, comece listando os riscos concretos que possam ocorrer na mudança, como questões financeiras, alteração ou necessidade de uma nova rotina, como viagens e deslocamentos, novas habilidades que serão necessárias, enfim, tudo o que envolve tomar a decisão que você está avaliando. Depois liste os medos que foram imaginados, os cenários catastróficos que você pensou e todos os demais “mas e se” que possam surgir na sua cabeça.

Agora compare as duas listas, olhando para tudo isso com muita calma, sem vergonha e sem julgamento de valor. Apenas avalie ponderadamente.

A descoberta importante que você fará aqui é que, na maioria das vezes, os riscos e necessidades de adaptações que você listou são maiores do que pareciam ou do que você havia pensado, ou seja, você pode estar subestimando as mudanças que precisará fazer, e que os medos, por sua vez, foram “superavaliados”, levando você a acreditar que sejam maiores do que realmente são. Quando você percebe isso, entende que talvez não esteja diante de um abismo, mas apenas de um degrau de crescimento na carreira. E compreender essa diferença entre risco real e medo ampliado já traz muita clareza e um alívio enorme. E ao final deste processo, se os riscos concretos ainda incomodarem, é hora de planejar como reduzi-los ou até eliminá-los, transformando ansiedade em estratégia. Da mesma forma, se perceber que o que pesa mais são os medos, vale diminuir a velocidade e começar a dar pequenos passos que mostrem à sua mente, de forma prática, que eles (os medos) não precisam comandar suas decisões. Agindo dessa forma, tanto o risco quanto o medo deixam de ser barreiras e passam a ser apenas elementos do caminho, administráveis e possíveis de serem navegados com maturidade.

5. Essa escolha me aproxima da pessoa que desejo me tornar?

Outra pergunta muito importante nesse processo de tomada de decisão, pois a nossa  carreira profissional se confunde com a nossa identidade pessoal. Em outras palavras, cada decisão que você toma em relação à sua carreira, molda quem você se torna.

Para te ajudar a responder a pergunta, feche os olhos e imagine sua versão futura, aquela pessoa que você sabe que pode se tornar. Como ela olha para essa decisão que você está tomando? Ela diz “siga em frente”, ou diz “você sabe que não é por aí”?

Essa reflexão raramente falha, pois expõe verdades que às vezes evitamos confrontar. Algumas delas são incômodas, como admitir que estamos há muito tempo em um lugar que já não combina conosco, ou que temos medo de arriscar, ou ainda que estamos nos afastando da pessoa que gostaríamos de nos tornar. Essas verdades podem doer no início, mas também libertam, porque mostram exatamente onde está o desalinhamento e desconforto que você sente nesse momento da carreira.

E quando você finalmente escolhe algo que te aproxima da sua melhor versão, a sensação é totalmente diferente. É uma satisfação serena, profunda, difícil até de explicar, e que nenhum benefício isolado, como salário, título ou prestígio consegue substituir. É o tipo de escolha que faz você respirar melhor, dormir melhor e caminhar com menos peso nos ombros, porque sabe que está honrando a si mesmo.

6. Que preço eu vou pagar se eu ficar exatamente onde estou?

É comum focarmos no custo que a mudança irá nos cobrar, mas esquecemos de avaliar o custo de permanecer onde estamos. Às vezes, ficar onde está é muito confortável, pois evita o incômodo da tomada de decisão, mas pode no futuro custar sua motivação, sua energia e até sua saúde mental, dependendo do ambiente que você trabalha.

Faça esta reflexão pensando por alguns instantes nos seguintes pontos: se eu continuar aqui por mais um ano, quem eu me torno, quais são os ganhos e avanços que farei? Estarei  me aproximando da minha melhor versão ou me distanciando ainda mais dela?

Essa reflexão costuma ser um divisor de águas importante, porque revela o custo oculto da estagnação, que muitas vezes ignoramos. Se ao pensar com calma você perceber que permanecer exatamente onde está não trará avanço algum, é um sinal claro de que seu planejamento de carreira precisa ser revisitado antes de realizar qualquer mudança profissional. Continuar no mesmo lugar pode parecer seguro no curto prazo, mas também pode deixar você cada vez mais obsoleto em um mercado que se torna mais competitivo a cada ano. E nesse cenário, ficar parado também é uma escolha. Só que muitas vezes, é a escolha que mais pode limitar o seu futuro.

7. Quais competências eu preciso desenvolver para sustentar esse próximo passo?

É muito importante compreender que toda mudança exige preparo e planejamento prévio. Avaliar o que precisa ser mudado, desenvolvido ou mesmo aprendido é fator relevante para o sucesso na transformação que se deseja. E reconhecer que falta algo para você não é sinal de fraqueza, mas sim de maturidade.

Comece listando com calma quais habilidades você precisa fortalecer ou aprender. São habilidades técnicas, comportamentais ou emocionais. Pode ainda ser uma combinação entre elas.Depois pergunte-se qual delas você pode começar a desenvolver ainda hoje? Ou, quais delas são mais cruciais e relevantes para o movimento que você pretende fazer?

Essa pergunta ajuda você a transformar dúvida em movimento, e te dá não apenas a sensação, mas de fato o coloca no controle da sua própria jornada.

8. Quem já viveu algo parecido e pode oferecer uma visão mais madura?

Quando estamos dentro demais e muito envolvidos com um problema, costumamos perder a clareza e deixar de considerar outros aspectos. E o mesmo acontece com decisões sobre mudança de carreira. Por isso, conversar com alguém que já vivenciou algo semelhante, como ter passado por uma transição de carreira, pode iluminar pontos cegos e lhe trazer uma melhor compreensão do processo.

Pense em pessoas que já trilharam caminhos parecidos e que você pode acessar para pedir aconselhamento. Procure essas pessoas para conversar e tire suas dúvidas, faça suas perguntas. Uma boa conversa com quem já enfrentou esse processo pode lhe evitar uma série de transtornos e lhe ajudar a direcionar esforços para o que realmente importa.

E se não houver alguém próximo ou que você saiba ter passado por algo semelhante?Busque então auxílio em livros e conteúdos sobre o tema. Considere também contar com a ajuda de um mentor que trabalhe com orientação de carreira. Lembre-se que ninguém precisa caminhar sozinho por essas encruzilhadas profissionais.


9. Eu estou tomando esta decisão com clareza ou com pressa?

Quando a mente está acelerada, ela costuma distorcer riscos e encolher possibilidades. E aqui, assim como em outras áreas de nossa vida, a clareza e a pressa dificilmente andam juntas.

Neste sentido, vale a pena perguntar a si mesmo se é possível adiar a decisão por alguns dias ou semanas. Imagine que você tivesse mais tempo para refletir, qual seria a escolha feita nesse cenário? Seria a mesma que você tomaria hoje, sob pressão? Em caso afirmativo, siga em frente, você já tem sua resposta. 

Mas se a resposta for não, isso já é um sinal valioso para pausar e pensar mais sobre o assunto. Dar esse espaço extra para a mente respirar pode mudar completamente a qualidade da sua decisão. Aqui, o simples ato de desacelerar faz com que a clareza volte a aparecer. E esperar neste caso não é falta de ação. Pelo contrário, muitas vezes é a forma mais sensata e madura de avançar com segurança.



10. Essa escolha honra meus valores?

Nossos valores são a base da nossa integridade. São eles que sustentam nossas decisões, moldam nossa identidade e determinam, no fundo, o tipo de vida que queremos construir. Quando uma escolha fere esses valores, ela até pode funcionar externamente e no curto prazo, trazendo reconhecimento, status ou vantagens imediatas, mas internamente cria um desgaste contínuo. E esse desgaste aparece, cedo ou tarde, na forma de desconforto, perda de energia, sensação de incoerência ou até um incômodo silencioso que insiste em retornar de tempos em tempos.

Por isso, assim como exploramos na primeira pergunta, é essencial avaliar se essa decisão está realmente alinhada com a sua essência. Pergunte com sinceridade se esta escolha combina com o que você considera fundamental para a sua trajetória? Respeita a forma como você deseja viver, trabalhar e se relacionar? Aproxima você da vida que deseja  construir ou afasta dela?

Se sentir desconforto ao pensar nestas questões, é sinal de que algo não está bem alinhado e que precisa ser observado com muita atenção. Já quando as respostas trazem paz ao invés de tensão, quando você sente coerência entre o que escolhe e o que acredita, quase sempre significa que o caminho está alinhado e que você tem clareza sobre o que deve fazer. A paz sentida nas respostas costuma ser um ótimo indicador de que você está respeitando a si mesmo. E isto é crucial nesse processo de mudança.

As perguntas certas abrem portas que a ansiedade mantém fechadas

Essas dez perguntas não são uma lista técnica e tampouco as respostas das mesmas são definitivas. Elas funcionam muito mais como um convite para olhar para dentro com mais cuidado, profundidade e honestidade. Quando você se permite essa pausa, essa conversa silenciosa consigo mesmo, as escolhas começam a se alinhar de forma mais natural e menos incômoda.

E se mesmo depois de refletir sobre tudo isso, a dúvida ainda permanecer, não há problema algum. Dúvida também é sinal de consciência. Procure então conversar com pessoas experientes, ouvir quem já passou por decisões semelhantes ou contar com um mentor, pois são formas inteligentes de transformar incertezas em estratégia.

A sua carreira profissional não precisa ser uma trilha solitária. Ao contrário, ela se torna muito mais sólida quando construída a partir de diálogos, trocas, aprendizados, clareza e coragem.

Espero sinceramente que essas perguntas ajudem você a refletir sobre o tipo de mudança que talvez precise ou deseje fazer na sua jornada profissional. Que sirvam como orientação nos momentos em que tudo parece nebuloso e transformem as incertezas em estratégia para tomar uma decisão de carreira mais consciente.

E caso deseje ampliar sua reflexão sobre tomada de decisão, planejamento de carreira e autodesenvolvimento, recomendo aqui alguns livros que suportam as ideias apresentadas neste artigo:

  • Daniel Goleman – Inteligência Emocional

  • Daniel Kahneman – Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar

  • Carol S. Dweck – Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso

  • Herminia Ibarra – Working Identity

  • Bill Burnett e Dave Evans – Design Your Life

  • Angela Duckworth – Garra

  • James Clear – Hábitos Atômicos

Por:

Elpidio Luiz Narde

Coach de Carreira & Liderança | Fundador da Narde Mind Mentoring


 
 
 
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